terça-feira, 9 de abril de 2013

Nao

Há de certeza um poema sobre o jet lag, mas onde?

E um conto kafkiano em Berkeley?

Bonita a poesia concreta de Paul Krugman no New York Times: "Just Say Nao"

domingo, 7 de abril de 2013

Uma coligação PS-BE?

Terei visto bem? O primeiro-ministro amua com o Tribunal Constitucional e castiga o país? Lembra aquelas crianças que, ao levarem uma reprimenda, se põem a partir brinquedos.
Não, venham as eleições. Temos de mudar Portugal e mudar a Europa.
Um dado positivo, entretanto, é a declaração do BE dizendo-se disponível para um "governo de esquerda". Se a oposição não imitar o governo em casmurrice e arrogância, talvez a saída pudesse ser uma coligação PS-BE. No tabuleiro atual, diria que é aí que está a chave: no justo equilíbrio entre o idealismo bloquista e o europeísmo socialista.

Aquele Grande Rio deve gostar disto


quinta-feira, 4 de abril de 2013

Aeroportos, aviões, cinema

Um aeroporto é como aquele filme do Altman. Histórias que se definem em poucas pinceladas, misteriosamente, com uma clareza no limite do realismo. Por exemplo, um casal de sessentas e tais num corredor do terminal 1 da Portela a experimentar óculos. Falam o inglês suave e nasalado da América, mas o homem traz uma boina galega e a mulher um cajado de caminhante. A jovem vendedora segura um espelho sobre o ombro como um pirata com o seu papagaio.
No retângulo sem moldura o rosto da americana experimenta óculos escuros. Que ideia estranha, óculos negros na superfície de um espelho.
Um pouco atrás, o homem da boina está de boca aberta, suspenso; um peregrino à espera da revelação.
E já está. De repente tudo explode com uma gargalhada branca. “No wonder they're so nice!” diz a mulher quando a vendedora anuncia o preço.

No avião vejo um filme onde o protagonista inventa um filme para conseguir uma coisa no mundo. No céu, sobre as nuvens, as pessoas olhando para as imagens, cada uma com o seu ecrã, como se olhassem para espelhos.

O avião levanta voo em Newark. Baldios, estradas, armazéns, tudo ficando mais e mais pequeno, mais e mais nítido. Depósitos brancos como aspirinas gigantes depositadas sobre a terra. Cinema real!

Por exemplo, o miúdo pequeno fugindo aos pais na direção da porta de embarque. A mãe chama-o, e depois o pai também. Mas ele continua. Um miúdo de quatro, cinco anos?, cabelo cortado à escovinha. Passa por baixo da fita azul, lá vai ele.
Avançando na direção do filho, o homem agora fala mais forte. O miúdo para, mas não se vira para trás. E, já que ele não está olhar, o pai sorri.

quinta-feira, 14 de março de 2013

No Porto é hoje o dia Silva Silva

O nosso Adalberto aparece às nove e meia no palco do Teatro Carlos Alberto (TeCA). Até domingo, o grande Ivo Alexandre põe comédia no mundo. Venham, passem palavra. Vamos matar de riso a austeridade!

segunda-feira, 11 de março de 2013

Jornal Local: aos pombos

Depois da chuva, no Jardim de São Pedro de Alcântara, duas alemãs, talvez irmãs, de pé, à conversa; dois brasileiros, talvez pai e filho, de pé, à conversa; e, entre os dois pares, sentada e sozinha, uma portuguesa. Jornal Local estava lá e registou. Como quem lança confetis numa festa esvaziada, diz a mulher, "Sabem quem é que vos dá de comer, pombos?" (Pausa teatral.) "É a Mãe!"

sexta-feira, 8 de março de 2013

Na semana que vem, só dá Porto

Na próxima terça-feira às 21h, a minha breve peça Luto vai fazer parte, juntamente com outros textos de outros autores, das Leituras no Mosteiro (organização TNSJ, coordenação de Nuno M Cardoso e Paula Braga).
E, quinta-feira, dia 14, no âmbito do programa Solos do TNSJ, o Adalberto Silva Silva dá um espetáculo de realidade no Teatro Carlos Alberto. E por lá fica até domingo, 17. 
Venham, apareçam, temos de nos encontrar!

quarta-feira, 6 de março de 2013

terça-feira, 5 de março de 2013

Jornal Local: não leias isto

Num degrau da Rua do Quelhas, um pão aberto cheio de formigas. As nuvens afastando-se por um segundo para que a luz caia sobre aquilo. O pão estragado, como um monumento. Jornal Local estava lá para registar. Mas, de repente, passa um estudante rua abaixo; na mochila, em letras brancas, pintadas a pistola, a frase — sim, precisamente — não leias isto.

segunda-feira, 4 de março de 2013

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Jornal Local: Portugal pela mão

Na entrada de cima da Rua da Trindade, um homem de casaco escuro segura um Portugal amarelo, feito de cartolina, aí do tamanho de dois bacalhaus e meio. De repente há uma rabanada de vento e o país parece que se vai. Que susto. O homem encosta a cartolina ao peito e segue caminho. Jornal Local esteve lá e pode garantir que: agora sim. Sim, senhor. Finalmente, Portugal avança.