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quinta-feira, 22 de outubro de 2020

Ionesco em Castelo Branco

Delírio a Dois, de Eugène Ionesco, com encenação de Ivo Alexandre, sobe hoje ao palco do Cine-Teatro Avenida, em Castelo Branco. É uma produção da Ninguém.

sábado, 27 de junho de 2020

Canto da Europa em Aveiro

Hoje o Canto da Europa está no Teatro Aveirense. Em "versão acústica", digamos assim, com as belas vozes de Anabela Faustino, Paula Diogo e Ivo Alexandre.


segunda-feira, 6 de janeiro de 2020

Canto da Europa, dia 10

Canto da Europa: é o lugar onde onde estamos ou é a voz que construímos para quebrar o muro? 
Estreia dia 10, no TNDMII. 
Apareçam, cidadãos!

sexta-feira, 2 de março de 2018

Agora

Estreia hoje, em Arcos de Valdevez. Na Casa das Artes, às 22h. 

Agora: uma comédia sobre o instante de uma tragédia. Houve um ataque terrorista no teatro, e dois espetadores, um homem e uma mulher, acabam lado a lado, a fazer de mortos, transidos de medo. Já terá passado o pior? Poderão falar? Nunca se sentiram tão assustados, tão esvaziados, tão vivos, tão próximos de alguém. O que é que isso fará deles? E o que é que eles farão disso?

 
Na sequência dos ataques terroristas em Paris — nomeadamente, o ataque ao Bataclan, uma sala de espetáculos —, o teatro, ou a interpretação ao vivo, aparece aos nossos olhos mais como é: um perigo.
    Em cima do momento, a quente, escrevi uma peça, Grande cena (Teatro Oficina, encenação de Marcos Barbosa), sobre quatro atores, que, no conforto de uma sala, atravessam este nosso tempo de excesso de informação, confusão, desejo e medo. Os atores: Anabela Faustino, Alheli Guerrero, Ivo Alexandre, Marcos Barbosa.
    Escrevi também um ensaio para a revista Granta, Ensaio aberto, onde partia de uma citação da peça Grupo de vanguarda, de Vicente Sanches, para pensar o que era e o que podia ser o teatro hoje. A citação: “Todo o teatro — deve ser terrorista”, “todo o verdadeiro terrorismo — é verdadeiro teatro”.
    Agora é o ponto de chegada desse questionamento. Ou o ponto de interrogação dessa caminhada. Dois espetadores, em perigo de vida no lugar sagrado do teatro, revelam-se — e nós com eles?


O texto é meu, a encenação é do Ivo Alexandre, a interpretação é da Anabela Faustino e do Ivo Alexandre. Produção Ninguém.

quinta-feira, 19 de outubro de 2017

Re: Email

Amanhã, no Porto, reestreia o nosso Email (desta tua mãe que tanto te ama). É no Mosteiro São Bento da Vitória (TNSJ), às 21h. Continua sábado e domingo. Vamos desfacebookar um bocado?

quinta-feira, 8 de junho de 2017

Teatro político em Guimarães

No Reino Unido, há eleições com o Brexit no centro. Em Guimarães, o Falstaff de Shakespeare fala "para toda a Europa".

Henrique IV parte 3 acende-se hoje à noite na caixa negra do CIAJG, no Festival Gil Vicente.

sexta-feira, 2 de junho de 2017

Em Arcos de Valdevez, Henrique IV parte 3

(Perdoem-me a rima.)
Hoje, na Casa das Artes, vamos ver o que acontece quando o Falstaff de Shakespeare aterra no Minho.


                                                                                                                                     (fotografia ©Susana Neves/TNSJ)


sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

sexta-feira, 18 de novembro de 2016

Muita merda a sul e a norte!

Catarina, com texto meu (mais um poema de Sophia de Mello Breyner Andresen), estreia hoje no Teatro Lethes, em Faro, pela ACTA. Estou pronto para ser surpreendido pela encenação de Luís Vicente.

E Adalberto Silva Silva, o monólogo que fez nascer a companhia Ninguém, continua a ser levado por Ivo Alexandre pelo país dentro. Hoje sobe ao palco no Cine-Teatro Garrett, na Póvoa de Varzim. 

domingo, 13 de novembro de 2016

sábado, 12 de novembro de 2016

Gente mortal sobe do Alto da Penha até ao Carlos Alberto

Acabámos o ensaio na Penha, o Ivo e a Anabela levaram o Luís de carro à estação das camionetas, e eu e a Paula descemos a pé a rua comicamente íngreme que, todos os dias, como que nos devolve das alturas da imaginação à vida real da cidade. Não sei como, a meio dessa rua sem nome, pusemo-nos a falar de mortos, mortes, morte. Por virmos do país do teatro, talvez, a conversa a partir dessa proibida palavra M não pareceu forçada, nervosa, nem triste. Uma palavra, outra, uma pergunta, outra; e aos poucos fomos encontrando maneira até de sorrir sem fugir do assunto. Despedimo-nos à porta do metro e eu desci as escadas para baixo da terra. Ao chegar à plataforma, vejo um homem caído na linha.
Do lado de lá, no sentido Arroios-Alameda, meio sentado ou a levantar-se, um homem de camisa azul. Imaginei que tivesse caído naquele momento. Do lado de lá da plataforma, chama-o outro homem, dizendo que o ajuda a subir, aproximando-se da beira para o puxar para cima. Mas o da camisa azul nem olha para ele. Levanta-se e põe-se a andar pela linha, em frente, na direção de onde virá o metro. O placard eletrónico diz que falta um minuto. Eu e outras pessoas dizemos-lhe para sair dali, mas o homem parece não ouvir ninguém, continua a andar em direção ao túnel. Retrospetivamente, uma imagem mítica: um mortal como nós avançando para o túnel esfíngico, indiferenciado, absoluto. Despe a camisa enquanto anda, como que a mostrar que está pronto. Ou como uma última pergunta? Uma provocação? Como um desafio? Oh o azul impossível daquela camisa. Um azul aberto, vivo, um azul de céu azul.  
Na plataforma, pessoas a gritar, pessoas a descrever a cena ao telemóvel em tempo real, pessoas paralisadas a ver, a não querer ver, a ver. Éramos todos estranhos uns para os outros e de repente uma coisa tinha-nos juntado: aquele homem ia morrer. Ao meu lado, uma senhora grita, desesperada, “Porquê, porquê”. Pálida e com dificuldades de respiração, prestes a desmaiar. Um rapaz novo diz-lhe para ter calma, e ela continua, “Porquê, porquê”. Trinta segundos, dez segundos. O homem vai morrer, meu Deus. (Deus é uma palavra inventada para estas horas?) Felizmente, acontece o inverosímil. O metro para no túnel. Alguém terá conseguido comunicar com o maquinista, imagino. E o homem ali fica. De pé, de frente para os faróis acesos do metro, de tronco nu, de mãos atrás das costas. Não se mexe. Durante uma eternidade, não se mexe. 
A morte de cada dia nos dai hoje. Escrevo aqui este momento terrível de um sábado de outubro para não me esquecer dele. Não por qualquer tipo de prazer mórbido, mas porque é verdade e me fez olhar com novos olhos para o nosso Henrique IV parte 3. Porque é a morte que nos deixa “dentro” dessa coisa da vida. Perdoem-me se começo a citar personagens assim a meio, sem aviso. O que diz realmente o Henrique da nossa peça é: “Enquanto traduzo, estou lá — estou aqui — estou mesmo dentro da coisa, sabes?” Mas, sim, trago para aqui este suicídio falhado porque acredito que ele pode iluminar a “tradução” que fizemos, da página para a cena. Resumindo: se não lembrarmos o azul que havia no azul dessa camisa largada, todo o azul desbotará. Afinal, talvez seja essa uma das tarefas do teatro, não? Dizer as coisas para ver as coisas? Atravessar a morte para a matar? 
Neste nosso Henrique IV parte 3 não há a morte com M maiúsculo, mas há um fantasma com F de Falstaff. É aí que faço a ligação entre o que se passara e passaria na sala de ensaios da Penha e o que se passou e não passou na estação de metro de Arroios. Também no território desta nossa peça é um espírito antigo, uma figura que (já lá diz Miriam) parece “feita mais de palavras do que de carne”, quem vem concretizar o estar-aqui das personagens mortais, nossas contemporâneas. Um fantasma gordo opondo-se, como que por acidente, aos números magros da crise sempiterna a que chamamos “sistema”. Estar vivo parece um dado mas é um achado — Falstaff e Shakespeare sabem esse segredo. E nós, nestes dias que correm? 
Agora percebo melhor a resistência dos encenadores a escrever sobre os espetáculos. O que se diz diz-se em cena (mal posso esperar para ver isto no TeCA com a contracena do público). E tentar explicá-lo talvez só aumente o ruído, com o risco de se reduzir a violência, a graça, do que os atores criam ao vivo. Mas, se calhar, posso dizer isto: esta é uma comédia que nasce de palavras difíceis e uma tragédia que redunda nos gestos mais prosaicos. Um espetáculo que, com o genial gordo de Shakespeare, quer rir a bandeiras despregadas. “Ora, homem, isto é gente mortal, é gente mortal.”


(texto escrito para o programa do espetáculo "Henrique IV parte 3", no TeCA)

sábado, 5 de novembro de 2016

O Porto está em obras

                                                                       ©João Tuna/TNSJ

Henrique IV parte 3, ensaios. Anabela Faustino ou Iolanda? (Fotografia de João Tuna.)

quinta-feira, 3 de novembro de 2016

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

Ninguém no Teatro Carlos Alberto

                                                                                                                                                 ©João Tuna/TNSJ


Henrique IV parte 3, ensaios: Ivo Alexandre ou Jack Falstaff? (Fotografia de João Tuna.)

terça-feira, 13 de setembro de 2016