segunda-feira, 16 de julho de 2012
domingo, 15 de julho de 2012
sexta-feira, 13 de julho de 2012
O NARRADOR CONTANDO A HISTÓRIA ENQUANTO SOFRE A TRAGÉDIA PEREGRINA NO MAIS IDIOTA DOS CAMPOS DE TRIGO
Amanhã, às 18.30, vou ler coisas minhas na Bertrand Chiado (Espaço do Autor, Rua Anchieta). Estão todos convidados. Será um dia de sol.
quinta-feira, 12 de julho de 2012
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Se juntarmos uma Secretaria de Estado da Cultura que se vê como um Departamento de Propaganda do "Governo de Portugal" a uma visão da literatura e das artes como mero escape de "comédia ligeira", só nos resta um ponto de exclamação, não? No duplo sentido de "vamos a isso" e "vão-se embora". Rua! Rua!
quarta-feira, 11 de julho de 2012
terça-feira, 10 de julho de 2012
domingo, 8 de julho de 2012
sexta-feira, 6 de julho de 2012
"Está a dizer que as crianças farão um boneco de neve com a palavra neve?"
Alguém, por favor, traga isto aqui.
quinta-feira, 5 de julho de 2012
Um acelerador para a democracia europeia
O problema primeiro não é a moeda. A Europa precisa é de um acelerador de ideias. Partículas de ideias em várias línguas, chocando umas contra as outras, até se fazer luz. Chama-se democracia.
quarta-feira, 4 de julho de 2012
Jornal Local: o autocarro
Estacionado em frente ao Jardim do Príncipe Real, o autocarro tem escrita — na língua do turismo, com as cores da publicidade — a palavra "caos".
terça-feira, 3 de julho de 2012
Muita merda para esse Normal
Força para a Turma de Criação do Teatro Oficina, que hoje às 22h, a cores e ao vivo, tenta safar o meu textinho. Viva o mistério do sempre-nunca!
segunda-feira, 2 de julho de 2012
sexta-feira, 29 de junho de 2012
Cartão de embarque
Acordo e estou num avião. A hospedeira pergunta-me se quero comer. Tem a boca vermelha e parece uma Kate Winslet desfocada, o que me faz pensar na minha mulher ou "ex-mulher". Título mais estranho para uma mulher tão séria e tão feliz. No sonho vou a caminho de Bruxelas para perguntar à presidente da União porque é que a Europa está a cair. "Deseja mais alguma coisa?" À quarta tentativa, consigo abrir a embalagem transparente, trinco o bolo. Um sabor a pomares de plástico sob longos céus parados. Acordo e estou num avião. A hospedeira pergunta-me se quero comer. Tem os dentes manchados de batom e isso traz-me à memória a minha namorada ou "amante". Se o termo não é muito antiquado, que a rapariga é assustadoramente jovem. Um grande plano fulminante, um flash na noite do quarto de hotel. A verdade é que, depois do divórcio, a nudez desta mulher quinze anos mais nova que eu perdeu todo o perigo. "Obrigado, muito obrigado." No sonho Lisboa é uma cidade arrasada por bombardeamentos aéreos e eu estou parado no que costumava ser uma rua ou uma praça a tentar perceber para que lado é o rio. Dentro do plástico transparente, o bolo castanho é um tumor. Quantas vidas estarão implicadas no facto disto estar aqui, à minha frente, em cima de um tabuleiro da cor do céu? Acordo e estou num avião. A hospedeira pergunta-me se quero comer. Quero comê-la, agarrá-la pelo rabo, morder-lhe o vermelho da boca, chupar-lhe a língua estrangeira até ela não ser mais do que um corpo, mas limito-me a fazer que sim com a cabeça. Pela janela, vejo os campos europeus, as casas, estradas, os rios, tudo diminuindo magnificamente. O raio de sol atravessa o avião como uma viga de ouro. Fecho os olhos. Não tenho ninguém a quem telefonar, ninguém no mundo inteiro, mas a Europa está salva e é uma União a caminho da felicidade. "Será que posso pedir um café?"
quinta-feira, 28 de junho de 2012
Um poema de Luís Vaz de Camões
Na desesperação já repousava
o peito longamente magoado,
e, com seu dano eterno concertado,
já não temia, já não desejava;
quando ũa sombra vã me assegurava
que algum bem me podia estar guardado
em tão fermosa imagem, que o treslado
n'alma ficou, que nela se enlevava.
Que crédito que dá tão facilmente
o coração àquilo que deseja,
quando lhe esquece o fero seu destino!
Oh! deixem-me enganar, que eu sou contente;
que, posto que maior meu dano seja,
fica-me a glória já do que imagino.
quarta-feira, 27 de junho de 2012
Sobre uma fotografia de Irina Rozovsky
Aqui é saudável, uma pessoa sente-se viva aqui. Não sei, mas acho que preciso de ar livre para organizar os pensamentos, é. Aqui sinto-me mais nova, como se ainda namorasse uma qualquer ideia futura de mim. Que ridículo. Mas é verdade, aqui sou uma ideia aberta ainda. Mexo os braços, sofro a brisa no vestido leve, de rapariguinha, ponho isto na boca, travo, sopro. Entre paredes, a minha cabeça é grande demais e toda fechada sobre si mesma. Aqui não. Quer dizer, aqui é que sim. Dentro deste ar puro — tanto oxigénio jovem que se perde inutilmente, gloriosamente —, dentro deste espaço livre as palavras ganham um sentido, uma direção. Aponto-as para ali, já está. As palavras aqui tornam-se opacas, fantasmas de ver, de tocar, quase. Sei exatamente o que quero. Deixem-me rir, peço desculpa. Tenho de rir, adoro vir para aqui quando há sol. É saudável, é fresco. Ideias frescas e boas! Se alguém se põe entre mim e o que eu quero, é melhor que tenha as rezas todas em dia, ah pois. Não é, meu amor?
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