O Triplo A vai passar na RTP2 — dia 26, às 23h.
segunda-feira, 18 de dezembro de 2023
segunda-feira, 11 de dezembro de 2023
O que Natalia Ginzburg diz sobre Israel em 1972
"Dopo la guerra, abbiamo amato e commiserato gli ebrei che andavano a Israele pensando che erano sopravvissuti a uno sterminio, che erano senza casa e non sapevano dove andare. Abbiamo amato in loro le memorie del dolore, la fragilità, il passo randagio e le spalle oppresse dagli spaventi. Questo sono i tratti che noi amiamo oggi nell'uomo. Non eravamo affatto preparati a vederli diventare una nazione potente, aggressiva e vendicativa. Speravamo che sarebbero stati un piccolo paese inerme, raccolto, che ciascuno di loro conservasse la propria fisionomia gracile, amara, riflessiva e solitaria. Forse non era possibile. Ma questa trasformazione è stata una delle cose orribili che sono accadute."
(Gli ebrei, Natalia Ginzburg)
sexta-feira, 8 de dezembro de 2023
Os limites
"Os limites de um humano eram divinos? Eram."
(Uma Aprendizagem ou O Livro dos Prazeres, Clarice Lispector)
quarta-feira, 6 de dezembro de 2023
segunda-feira, 4 de dezembro de 2023
A criança em Gaza
A reportagem de ontem, da RTP2, mostrava uma criança em Gaza, no que parecia um monte de cinzas, a andar em círculos, a gritar, "O meu pai e o meu irmão são mártires!..." A infância é o tempo da liberdade, da brincadeira, da vida sem prazo, mas àquele menino roubaram-lhe tudo. Aquela criança era o desespero do mundo. Devíamos pôr aquela imagem na cara dos decisores vinte e quatro horas por dia até haver paz.
domingo, 3 de dezembro de 2023
Calados, quietos
O partido da xenofobia tem 16% nas sondagens e nós damos passeios e comemos framboesas. O partido do discurso de ódio tem 16% nas sondagens e nós ouvimos vinis e folheamos revistas como se tudo estivesse normal. O partido da desinformação e do racismo tem 16% nas sondagens e nós ficamos calados, quietos, no nosso cantinho?
quarta-feira, 29 de novembro de 2023
Exatamente
"...pero ser escritor no es exactamente ser alguien."
(La vida privada de los árboles, Alejandro Zambra)
segunda-feira, 27 de novembro de 2023
Jornal Local: "saudade"
Um miúdo pequeno e loiro anda pelo passeio, na D. Carlos I, a ameaçar inimigos imaginários com a palavra "saudade". Tem as mãos como se agarrasse uma arma e dispara "saudade, saudade, saudade". Jornal Local estava lá e viu. E ouviu. A palavra mais portuguesa, dita com sotaque estrangeiro, é capaz de matar.
quinta-feira, 23 de novembro de 2023
sexta-feira, 17 de novembro de 2023
Hoje, em Vila Real, estreia "Hamlet O Musical" (perdoem-me a rima)
Ao morrer, Hamlet pede a Horácio para contar a sua história. No fim, chegamos ao princípio.
Mas esta ideia de que o “Hamlet” que chega até nós, espetadores, é a versão do seu amigo, Horácio, não costuma ser muito sublinhada nas leituras-em-palco da famosíssima peça de Shakespeare — desde logo, claro, porque tal revelação surge apenas no derradeiro momento, na ponta final do desenlace. E, no entanto, ela é fulcral.
A existência de um narrador-personagem não mudará tudo, mas muda muito. Algumas questões decorrem imediatamente daí: configurará ele uma espécie de representante do autor no interior da história, ou talvez mais algo parecido com um agente duplo? Será ele alguém que se autonomiza em relação ao amigo, acabando por moldar a narrativa de acordo com a sua própria agenda, ou é ele antes um homem-teatro, um Shakespeare-Globe, cuja transparência é afinal uma forma de génio camaleónico?
A nossa proposta é investigar o monumento hamletiano a partir desta perspetiva — um Horácio com uma História —, escavá-lo desde o fim, e em modo musical. O que acontece no espírito de Horácio no instante em que o amigo moribundo lhe pede que conte aquilo tudo, para que “Hamlet” não fique como um “nome ferido”? E como é que Horácio aproveita essa oportunidade, como é que escolhe usar esse poder? Como é que alguém revive e reimagina tamanha sequência de acontecimentos, pensamentos, mal-entendidos, visões, sem se perder de si (ou, visto do outro lado, sem se divertir um bocadinho)?
O quê, Horácio canta?
Claro, senão como poderia ser tantas vozes por dentro?
"Hamlet Hamlet Hamlet
de William Shakespeare
a partir de Hamlet de William Shakespeare
a partir da tradução de Hamlet de William Shakespeare de Gualter Cunha (editada pela Relógio D'Água)
Encenação de Marcos Barbosa
Interpretação de Pedro Fontes, Marcos Barbosa, Silas Ferreira
Música de Silas Ferreira
Cenário e figurinos de Arial Fiske de Gouveia
Luz de Carlos Ribeiro
Argumento de Jacinto Lucas Pires
Argumento: história de um homem preso dentro da sua cabeça
Argumento: história inventada para redimir um amigo
Argumento: história de um homem em forma de pergunta
Argumento: história de um homem que quer vingar o pai
Argumento: história de um homem que ama demasiado a mãe
Argumento: história para homenagear um filho morto"
Produção: Escola do Largo
terça-feira, 14 de novembro de 2023
Prémio de Tradução Literária Francisco Magalhães!
A minha tradução de Cristo parou em Eboli, de Carlo Levi, ganhou o Prémio de Tradução Literária Francisco Magalhães da Associação Portuguesa de Tradutores! (Ex-aequo com a tradução, de Catarina Ferreira de Almeida, de O retrato de Dorian Gray, de Oscar Wilde.) Sou suspeito, claro, mas é um grande livro. Pode ser que este prémio lhe traga novos leitores.
sábado, 14 de outubro de 2023
O "Faz diferença" é um White Raven 2023
O livro da Bruaá que a Alice Piaggio ilustrou e eu escrevi foi escolhido para os White Ravens 2023.
sexta-feira, 13 de outubro de 2023
Aquilo que há-de vir — hoje, em Loulé!
É uma peça da Paula Diogo (que, aqui e ali, conversa com palavras minhas).
O mar está a subir — estaremos à altura?



