sexta-feira, 27 de março de 2015

A pergunta da política

É em nome do todo
E para o bem-comum
Que falas e vives, sim?
Esta é a pergunta
Para cada um
Para ti e para mim

Passos, Portas, Costa
Sousa e Martins
Pedro, Paulo, António ou
Jerónimo, Catarina
Anónimo, o teu nome
Ainda mal começou

É em nome do todo
E para o bem-comum
Que falas e vives, sim?
Esta é a pergunta
Para cada um
Para ti e para mim

Juncker, Schulz, Merkel,
Cameron e Renzi
Tsipras e Hollande
Jean, Martin, Angela
David e Matteo
Europa, pergunta grande

É em nome do todo
E para o bem-comum
Que falas e vives, sim?
Esta é a pergunta 
Para cada um
Para ti e para mim

Ana, Belarmino, 
Carlos, Deolinda,
Eduardina e Flor,
Gustavo, Horácio, 
E todos os nomes
Está a política a chamar


(dá para ouvir aqui)


sexta-feira, 20 de março de 2015

Pensamentos concretos

Há meia-maratona
depois de amanhã
é uma bela loucura
e eu estarei lá

É a primeira vez
que vou tentar correr
21 mil e tal metros
de pensamentos concretos

Quando se corre, as coisas
ganham tal leveza
metáforas de si
próprias, funda clareza

A ponte 25 de abril
percorrida a pé
é o que o país deve ser
uma visão a construir

A cidade vai
mudar-se de margem
almas de corpo inteiro
furando a imagem

É a primeira vez
que vou tentar correr
21 mil e tal metros
de pensamentos concretos




(dá para ouvir aqui)

terça-feira, 17 de março de 2015

Caro Senhor Cockrum, já que gosta de Bolaño...

Se estiver interessado numa adaptação teatral de Os detetives selvagens, será com todo o prazer que o receberemos como mecenas!

sexta-feira, 13 de março de 2015

O sistema na lama

Diz o Presidente
que as dívidas ao fisco
e à Segurança Social
do primeiro-ministro
de Portugal
não são nada de especial,
só um cheirinho a pré-campanha

O sistema faz a cama
na lama

Diz o primeiro-ministro
da austeridade
que não é perfeito
(oh, será verdade?)
só não pagou
porque não tinha dinheiro
ou então não se lembrou

O sistema faz a cama
na lama




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segunda-feira, 9 de março de 2015

sexta-feira, 6 de março de 2015

O nosso deixa-andar

E se imaginássemos
o chefe de governo
com ar grave, a cantar
num musical pós-moderno

na comédia com o título
“Insegurança social”
vestido de barítono
e o palco é Portugal, oh Portugal

Mas não vamos por aí
não vamos perturbar
o nosso deixa-andar

O filme Citizenfour
é cinema-verdade
jornalismo que diz:
é isto a liberdade?

Uma democracia
de cidadãos vigiados?
Não é ficção-científica
basta olhar para os factos, olhar de facto

Mas não vamos por aí
não vamos perturbar
o nosso deixa-andar





(dá para ouvir aqui)